A conectividade nos leva a lugares nunca pensados, podemos navegar na rede e ter acesso aos mais variados produtos, conhecimentos, países, pessoas e amores. Na era da hiperconectividade, o amor se torna objeto de consumo, como aquela TV de última geração ou um celular, que, quando lançado um modelo novo, corremos para realizar a troca.

Essa ideia fica mais evidente quando pensamos nos aplicativos de relacionamento, em que um vasto “cardápio” de potenciais pares românticos se abre na tela e, ao simples deslize de dedos, nos vemos diante de novas opções, colocando em xeque nossas atuais escolhas. O excesso de aparentes opções e a velocidade com que as relações amorosas se configuram entra em choque com o ideal de amor romântico, que permanece no imaginário coletivo; incutido pelas artes, cinema e literatura. Um amor arrebatador, aquele que nos completaria, permanece na fantasia.
O desejo de vivenciar essa experiência quase transcendental, que tira a pessoa do eixo, se desfaz quando o apaixonamento acaba. Ambos se desiludem, mostrando uma complexa humanidade, nua e crua, evento esse que é primordial para a construção do amor. Nesse momento, trocar de parceiro amoroso pode parecer a melhor opção. Contudo, isso nos leva a consumir o amor como mercadoria, já que aquela sensação de êxtase desapareceu e somos tentados a experienciá-la novamente, entrando em um ciclo sem fim.
Escolher construir a relação amorosa, após esse momento do apaixonamento e a posterior desilusão, pode ser desafiador. Não cair na esteira do “consumo” amoroso é a grande questão que separa as relações bem-sucedidas hoje em dia.


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